Eddie Murphy já teve dias melhores. Não só porque Norbit é uma tentativa fracassada de reviver os bons tempos do ator como em Um príncipe em Nova York e posteriormente em O professor aloprado (só o primeiro filme, porque a continuação é um desastre), mas também pelo fato de o ator teimar em aparecer: só isso explica a concepção de um filme desses.

O problema é que Murphy insiste na fórmula desgastada de executar inúmeros papéis ao mesmo tempo, o que foi engraçado antes, mas agora parecendo já terem se esgotado as possibilidades. Atacando novamente sob essa premissa, o ator nos brinda com essa nova bomba, filme com uma inquestionável qualidade de efeitos visuais, principalmente do trabalho de maquiagem, mas com um roteiro clichê do início ao fim, recheado de piadas sem graça e preconceituosas. Está mesmo difícil rir ultimamente, pelo menos assistindo a essas recentes comédias, que em sua maioria exploram personagens com deficiências físicas, abobalhados, obesos, que emitem sonoras flatulências entre outros temas de mau gosto, de forma até mesmo irresponsável em alguns casos.

 

Se não chega ao fundo do poço, como o constrangedor O pequenino (outra lástima dessa nova leva de invencionices e de falta de capacidade para o cinema de diretores e roteiristas que estariam melhor fazendo outra coisa), a nova pérola de Eddie Murphy está longe de ser uma comédia admirável, pois são escassos os momentos realmente hilários, que se restringem a algumas aparições de Rasputia, a enorme esposa de Norbit (personagem-título que tem o estereótipo do marido boboca, dominado pela mulher controladora). Personagens estereotipados, aliás, não faltam nesse filme: há o chinês boca-suja e rude, o panaca que só se dá mal e no final decide não mais ser passado para trás, a ex-namoradinha-boazinha-magrinha-que-é-um-doce, o grupo de marmanjos mal encarados e trambiqueiros e por aí vai…

 

Diferentemente do que se vê em O amor é cego, no qual o preconceito está em alguns personagens, em Norbit este é geral. Ataca-se a obesidade, mas também as diferenças étnicas e culturais, além de haver uma glamorização da magreza excessiva: só é seguro quem está dentro do perfil idealizado pelo protagonista. Os realizadores parecem se esquecer de que essa forma de humor é perigosa, principalmente porque, em geral, tais produções não sofrem restrição de censura, tornando-se acessíveis a crianças e incutindo nelas todo tipo de preconceito, por baixo da roupagem de uma simples comédia, de um programa inofensivo de final de tarde. Não são.

 

Sai a sutileza, entra o grotesco; sai a criatividade, entra a repetição. A comédia é um gênero em franca decadência. Porcarias como esse Norbit e outras como Cara, cadê meu carro?, Recém-casados, Hitch, A sogra, Sexo, amor e traição, Canguru Jack, Eu os declaro marido e… Larry, Matadores de Velhinhas, Minha super ex-namorada, Vovó..zona além de mais um sem-número de lixos indicam essa tendência, tornando a comédia uma espécie de subgênero, algo menor que não merece a mínima atenção, mesmo daqueles que estão interessados apenas em entretenimento passageiro.

 

Um dos piores filmes a que assisti ultimamente foi Transformers. Repleto de efeitos especiais mirabolantes, o filme descamba para um sem-número de situações de combate que deixam o espectador atordoado em alguns momentos. Simplesmente não é possível seguir um raciocínio aceitável em meio a tanta bagunça. E isso que esse filme essencialmente é: uma completa e insuportável bagunça. O filme carece de um roteiro que nos guie, pelo menos, a um bom desenvolvimento do raciocínio, já que é raso em demasia e não desenvolve nenhum dos seus personagens de forma mais elaborada. Não vou nem citar a atuação dos personagens humanos, pois seria mesmo uma perda de tempo. Méritos somente para alguns aspectos técnicos, como a edição de som, que inclusive foi indicada ao Oscar.Caso você não seja um fã ardoroso de filmes desse tipo, passe longe de Transformers ou terá a terrível sensação de ter perdido 144 minutos da sua vida. Isso é que dá Michel Bay nadando no dinheiro: algo parecido ocorreu em A ilha, outra bomba do diretor, notabilizado pelo esforço que sempre tenta fazer em chamar a atenção mediante explosões e tiros, expostos à exaustão. Desta feita, ele torrou 147 milhões de dólares, na certa oriundos da publicidade maciça que é vista ao longo desse filme chato, longo e desnecessário.   

Jason Statham está se especializando num tipo de papel: o musculoso arrasa-quarteirão aparentemente indestrutível. Nada contra alguém escolher esse caminho, afinal precisamos de filmes como esse Adrenalina para descontrair um pouco. É o cinema na sua forma mais descompromissada. Além disso, o ator inglês tem o jeitão perfeito para fazer o tipo mencionado, o que torna o filme bem interessante. Bem, aqui Statham é Chev Chelios, um assassino profissional que recebe uma injeção de uma “parada chinesa” da pesada, injetada por um de seus inimigos depois que Chev fora nocauteado pela gangue. A tal toxina cria uma situação no organismo do cara que o obriga a manter uma taxa alta de adrenalina, caso contrário é morte na certa por parada cardíaca. Tem-se início então uma um alucinado jogo de gato e rato, com o protagonista encontrando os meios mais variados para manter o coração acelerado – e arrebentar de vez seu algoz –, incluindo até mesmo sexo em público com sua namoradinha (para nosso delírio, já que a namoradinha não é nada feia!). O mais interessante é que o filme em nenhum momento parece se levar muito a sério, funcionando como mero entretenimento, com várias cenas de humor negro e um bandido-herói-doidão-devidamente-bombado e disposto a tudo para sacramentar o seu intento, embalado por uma trilha sonora também eletrizante, assim como o louco Chev. Não poderia deixar de faltar um final apoteótico – para não dizer sem noção – para nos deixar com um sorriso grande no rosto assim que os créditos começam a subir.

Sempre gostei de filmes que, a partir de um argumento simples, conseguem nos colocar frente a frente com os nossos mais indesejados sentimentos, tirando-nos da nossa zona de conforto. Pois é exatamente o que ocorre em Mar Aberto. Baseado (verdadeiramente) em fatos reais, o filme trabalha a tensão de um casal esquecido em alto mar ao saírem para mergulho próximo à grande barreira de corais australiana. Depois de uma contagem errada de um dos guias da empresa de mergulho, o barco parte de volta sem a dupla, que ainda estava submersa. Após a infeliz constatação de que a embarcação não está mais no local, o casal começa a passar pelo mais temido pesadelo de todos que praticam mergulho: ser esquecido em uma área infestada de tubarões, muitos tubarões!O que se segue é pouco mais de uma hora de pânico e sofrimento em que é perfeitamente possível a identificação com os personagens, graças à escolha acertada do diretor Chris Kentis (autor também da fotografia e da edição) ao escalar atores desconhecidos para os papéis principais. A fotografia também colabora, já que a produção é toda filmada em câmera digital. Muitos andam reclamando do desfecho, dizendo até mesmo que o filme “não tem final”. Pura limitação conceitual, já que o final é satisfatório, pois que fiel ao acontecido de fato. Além disso, um final happy end iria na contra mão da proposta do filme. Merece destaque ainda a seqüência noturna, em que só podemos realmente saber o que está acontecendo pela claridade dos relâmpagos (e a vista não é nada animadora, pois se pode enxergar a silhueta dos tubarões rodeando o desesperado casal). Trata-se de uma bela obra de suspense que surpreende não só pela tensão das suas seqüências, mas também pela incrível capacidade que tem em nos fazer sentir o desespero do casal de protagonistas.  

Revendo o filme A mosca recentemente, relembrei o quão perturbadores são alguns filmes de David Cronenberg. Afeito ao lado mais doentio e sujo do ser humano, o diretor já nos ofereceu pérolas como Crash – estranhos prazeres, no qual homens e mulheres saciam o tesão simulando desastres ocorridos com pessoas famosas e transando em meio às ferragens ou durante o trajeto, com o veículo em movimento. A atração por deformações advindas de acidentes também faz parte das taras dos personagens de Crash. É no mínimo interessante. Não há uma tentativa de compreensão da mente perturbada dos protagonistas, mas sim a exposição da complexidade da psique humana quando se relaciona com os avanços tecnológicos presentes na sociedade contemporânea (assunto tratado pelo diretor em diversos de seus filmes). No já citado A mosca, um cientista passa por um processo de tele transporte e uma mosca acidentalmente invade a câmara. A partir daí ele passa a sofrer uma metamorfose à melhor maneira de Gregor Sansa. Se o original A mosca da cabeça branca ficou apenas na sugestão, no remake de Cronenberg o processo é dissecado em detalhes, com efeitos especiais impressionantes.Alguns repudiam, outros veneram. E alguns outros abrem todo tipo de discussão filosófica e existencial acerca de filmes como esses. Algo é certo: não é cinema para qualquer um. Basta dar uma conferida em outra obra do genial diretor: Gêmeos, mórbida semelhança, em que Jeremy Irons interpreta dois gêmeos que compartilham tudo, desde a profissão até a predileção pelo uso de aparelhos ginecológicos – eles são ginecologistas – para contemplar seus mais obscuros anseios com a namorada de um deles. Mais uma vez percebemos a sensibilidade do diretor em abordar temas que muita gente prefere ignorar.Aviso: quem se acostumou ao cinema-pipoca-descerebrado-hollywooodiano e se choca muito ao se defrontar com desejos subversivos e proibidos do ser humano deve passar longe dessas obras mais ousadas de Cronenberg.

Sempre me pergunto por que diabos algumas pessoas simplesmente não gostam de filmes antigos. Geralmente, esse tipo de espectador rotula tais filmes de “velhos”, utilizando uma palavra pejorativa, inclusive, para se referir a filmes realizados há mais de cinco ou dez anos, às vezes até menos, e principalmente aos feitos há mais de duas décadas. Essa argumentação não se sustenta por diversas razões. Uma delas, e no meu entendimento a mais significativa, é que muitas vezes quem não vê importância no passado refuta qualquer possibilidade de haver influência de uma obra anterior no filme novo, o que é inadmissível. E as influências estão aí, são importantes para uma percepção mais rica do produto cinematográfico. Mas muitos ainda insistem em relegar o passado a um mero acontecimento sem importância, que morreu junto com a obra.Essa é uma distorção que nunca consegui entender. Perde-se muito quando o passado é deixado de lado a favor de uma glorificação do novo. É o mesmo processo ocorrido com alguém que se diz fã de Rock and Roll, mas desconhece Blues, ignorando que foi a partir deste que aquele nasceu. Ninguém é obrigado a gostar de Blues, mas é preciso reconhecer que, sem essa manifestação, simplesmente não existiria o Rock.Outro equívoco cometido por muitos é comparar filmes antigos com novos não considerando a questão da revolução tecnológica. Ora, um filme realizado em 1976, por exemplo, não dispõe dos recursos tecnológicos mais modernos que outro de 2006 traz. Parece óbvio, mas faz sentido mencionar o fato por haver gente que ainda não leva isso em conta na hora de assistir a um filme. Dizer que a produção é ruim só porque não apresenta uma roupagem mais “moderninha” é um absurdo sem tamanho. É a filosofia do pueril: só faz sucesso porque é novo, cheio de efeitos especiais ou está na moda. Isso fica mais evidente quando, por exemplo, alguém prefere a versão nova de King Kong apenas porque foi realizada recentemente, esquecendo-se do original, que é a razão de ser da própria refilmagem – inclusive muito melhor do que o novo. É verdade que, em alguns casos, torna-se perceptível o envelhecimento do filme, mas isso está longe de vingar como regra geral.É preciso ir na contra mão dessa miopia intelectual: é preciso cultivar o passado, conhecê-lo e reconhecê-lo como a mola mestra de quase todo processo criativo, seja no cinema ou em qualquer outra manifestação cultural. O novo deve ser celebrado, sem dúvida, mas mais importante ainda é preservar a memória, e só se faz isso reconhecendo-se a importância do passado. 

 

 

Assisti a duas refilmagens há pouco: A Profecia e O Massacre da Serra Elétrica. Vamos começar pelo pior. O Massacre é um filme de 1974, um “mini clássico” de terror que vingou à época, mas de fórmula já desgastada para nossos dias. Apenas esse detalhe já dispensaria uma refilmagem, mas não só refilmaram, como também fizeram o favor de rodarem O Massacre da Serra Elétrica, o Início! Bem, o filme – realizado em 2003 – é um desfile de clichês e de corpos sarados (chega a ser hilário o esforço de mostrar os dotes físicos de Jessica Biel, com ângulos similares aos da “banheira do gugu”, ou seja, uma apelação total). O roteiro é tão ruim que provoca risadas, como o também horrível O grito. Completa o menu um elenco de atores canastrões, em que pode ser visto R. Lee Ermey (o sgt Hartman de Nascido para Matar), certamente pagando algumas contas em atraso. 

Como falar de um filme tão ruim é tarefa muito árdua, passemos à outra refilmagem decepcionante – mas não tão ruim quanto a de Massacre. A Profecia (1976) foi um dos filmes de terror mais assustadores de todos os tempos. Pontuada pela trilha sonora sufocante de Jerry Goldsmith – premiada com o Oscar –, e pela atuação soberba do garoto Harvey Stephens, a película tornou-se um clássico do gênero, arrebatando admiradores fiéis. A refilmagem, no entanto, – apesar da louvável tentativa de festejar os 30 anos de lançamento do original – deixa muito a desejar, pois não tem o mesmo clima soturno do filme de Richard Donner, apesar de ser correto em alguns momentos. Mas o filme não vai além: é apenas correto. O novo Damien, interpretado pelo garoto Seamus Davey-Fitzpatrick, não dá conta do recado, sendo até mesmo mecânico em várias passagens e naufragando com o restante do elenco. Uma perda de tempo total e absoluta. Para quem não viu esses filmes, uma dica: assista apenas aos originais e esqueça as duas refilmagens, que são completamente desnecessárias.

Desde a explosão do fenômeno Tropa de Elite, as atenções se voltaram novamente para um ótimo documentário. O motivo é simples: o personagem Capitão Nascimento, de Tropa, é baseado no Capitão Pimentel, policial do BOPE entrevistado em Notícias de uma Guerra Particular, documentário de 1999 dirigido por João Moreira Salles e Kátia Lund. O filme é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro e mescla depoimentos do policial, do traficante e do morador do morro. Não faz apologia de nada, nem fica do lado de ninguém, apenas escancara a situação social do Rio de Janeiro que – apesar de o filme já ter oito anos – continua a mesma. É um filme obrigatório para quem viu e gostou de Tropa de Elite. Uma curiosidade: Notícias está sendo distribuído nos camelôs sob a alcunha de Tropa de Elite 2, em mais uma jogada de marketing (para não dizer cara de pau) do comércio ilegal de filmes. 

 

Um dos atores mais versáteis de sua geração, Jack Nicholson é capaz de arrebatar admiradores por todos os cantos, devido a sua leveza de interpretação e entrega apaixonada aos personagens que encarna. Em Melhor é impossível, Nicholson é Melvin Udall, um famoso escritor que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, patologia que o torna simplesmente insuportável e cheio de manias. Melvin nutre um ódio por Verdell – o cachorro feio do seu vizinho –  e um amor platônico pela garçonete Carol, interpretada magistralmente por Helen Hunt, uma mulher sofrida de tanto trabalho e massacrada pelas noites mal dormidas em virtude de seus problemas com a asma crônica do único filho. Mas o escritor, com sua língua ferina, está sempre a estragar tudo, afastando a mulher por quem sente atração, ao invés de iniciar sua conquista. Ele não é capaz sequer de fazer um elogio a uma mulher que julga ser bela e atraente, que dirá ser gentil com as demais pessoas ao seu redor.Melvin tem um vizinho artista e gay, chamado Simon (Greg Kinnear), por quem não tem nenhum respeito e a quem não poupa ataques preconceituosos. Ele inclusive chega ao extremo de atirar o cachorro do vizinho no sistema de lixo do prédio. Mas Simon tem um amigo que pode livrá-lo das investidas de Udall- Frank Sachs - interpretado por Cuban Gooding Jr, homem de aspecto intimidador.A sorte de Melvin, entretanto, está para mudar quando uma agressão, sofrida pelo vizinho, acaba por aproximar o escritor da garçonete, seu objeto de desejo, e inicia inesperadamente uma amizade entre o mal-humorado escritor com Verdell.Conduzido com singeleza por James L. Brooks, Melhor É Impossível tem todos os ingredientes de uma comédia romântica de alto nível. Com um roteiro inteligente e atuações inspiradas, o filme nos faz sentir compaixão pelo pobre Udall, mesmo sendo terrivelmente desagradável com as pessoas em muitos momentos do filme, e ao final acabamos torcendo para o sujeito obter êxito em sua empreitada amorosa. O que torna o filme inesquecível, porém, são as atuações oscarizadas da dupla central Nicholson – Hunt, contando com o apoio do time de primeira de coadjuvantes, que têm atuações tão competentes quanto à da dupla principal, e a trilha sonora, que passeia por clássicos de Nat King Cole, Shaw Colvin, Art Garfunkel, etc. Dono de uma forte expressão diante das telas, Nicholson executa mais um papel complexo, de um homem perturbado, variação de papéis consagrados do ator, em filmes como O Iluminado e Um Estranho no Ninho. Mais uma vez, o astro cumpre seu papel de entreter e ao mesmo tempo encantar, com sua ilimitada capacidade artística e notável presença em cena. Parece que o diretor Brooks consegue tirar o de melhor do que Nicholson pode oferecer, haja vista outra grande atuação, resultado dessa parceria: Laços de Ternura, filme pelo qual Jack também recebeu o Oscar, desta feita como ator coadjuvante. 

CA

Às vezes, tenho a bizarra mania de ver filmes totalmente desconhecidos, não sei se por falta de opção ou por pura curiosidade cinematográfica… Este que comento agora foi um deles… 

Numa homenagem à maternidade (e às tetas das mães, é claro) A Teta e a Lua é um filme nada convencional, mas que descamba para o pastelão em muitos momentos. A teta da bela Estrelitta, uma forasteira que mora com o marido num trailler, é o objeto de desejo do garoto Tete, pois seu irmão mais novo já está mamando na sua mãe, algo negado para ele, desde quando era bebê. Sendo assim, ele passa a desejar ardentemente aquela teta, ávido por sugar de forma vigorosa seu leite. O filme tenta ser uma metáfora do amor quase impossível que sente um jovem cantante, de nome Miguel, que também se apaixona por Estrelitta, ao ficar elétrico quando a toca pela primeira vez, e do amor da forasteira pelo seu marido, um homem bizarro, cuja principal vocação é emitir sonoras flatulências em seu ridículo número circense, para delírio do público (e para tesão da sua mulher). Mas o marido está brochando e é a chance que o garoto cantante tem para sacramentar seu intento. O filme derrapa ao mostrar-se incipiente com relação ao destino de seus personagens, ao mesmo tempo em que exagera na bizarrice de alguns deles, ficando entre a construção psicológica mais detalhada das pessoas que compõem o círculo de desejo e a mera escatologia, com um humor de gosto duvidoso na maioria das vezes. Tudo isso acompanhado de um final um tanto boboca, na base do “happy end” das produções americanas mais baratas. Essas características fazem de A teta e a lua um desfile de esquisitices, tornando o filme até certo ponto dispensável, apesar de divertido em alguns momentos.